Vende-se by Donnefar Skedar

Reimaginado

Um conto de horror psicológico e sobrenatural sobre casas que respiram, heranças que não podem ser recusadas e o perigo de aceitar um convite que jamais deveria ser feito.

Vende-se

Às vésperas de se tornarem pais, Mary e John decidem visitar uma casa isolada no meio da floresta, anunciada de forma simples e estranhamente vaga. O corretor garante que o imóvel está em bom estado, exige apenas pequenas reformas — nada que impeça uma noite de teste antes da compra.
Mas a casa é maior do que deveria ser. Os móveis não parecem abandonados. Há uma porta trancada que não consta em nenhuma descrição. E, ao cair da noite, passos ecoam por corredores vazios, vozes surgem de onde ninguém deveria estar e a sensação de que aquela casa não quer ficar vazia se torna impossível de ignorar.
Enquanto o passado de uma família esquecida vem à tona, Mary percebe que o verdadeiro preço daquela casa não está no contrato — e que algumas propriedades não são vendidas… são passadas adiante.
Um conto de horror psicológico e sobrenatural sobre casas que respiram, heranças que não podem ser recusadas e o perigo de aceitar um convite que jamais deveria ser feito.

Genre: FICTION / Horror

Secondary Genre: YOUNG ADULT FICTION / Horror

Language: Portuguese

Keywords: horror, terror, mistério, suspense, thriller, fantasma, casa, português

Word Count: 15486

Sales info:

Este conto abre a nova versão de Terror Mental, sendo o primeiro livro de contos do autor com cerca de 27 contos voltados para o horror, suspense entre outros. Lançado oficialmente em fevereiro de 2026.

 


Sample text:

O anúncio era uma cicatriz branca na tela do notebook.

Em meio a centenas de ofertas coloridas, com fotos saturadas de piscinas azuis, gramados verdes retocados no Photoshop e descrições cheias de exclamações ("Oportunidade única!", "Seu sonho mora aqui!"), aquele retângulo se destacava pela ausência.

Era simples demais. Ofensivamente simples.

VENDE-SE Casa de estrutura sólida. Bairro silencioso. Necessita de pequenas reformas. Preço negociável.

Não havia fotos. Nenhuma galeria para clicar. Nenhuma descrição da metragem, número de quartos ou vagas de garagem. Apenas aquelas quatro linhas e um número de telefone fixo, escrito em uma fonte pequena, serifada, que parecia ter sido datilografada na tela digital.

Mary encontrou o anúncio por acaso — ou foi o anúncio que a encontrou.

Eram 23h40 de uma terça-feira abafada. O ventilador de teto girava preguiçoso, apenas empurrando o ar quente de um lado para o outro no apartamento apertado. Mary rolava o feed do site de imobiliárias com a urgência de quem está ficando sem tempo.

Ela levou a mão ao ventre.

Sete meses.

A gravidez avançava sem complicações médicas, mas trazia consigo uma bagagem psicológica pesada. Nas últimas semanas, uma ansiedade corrosiva havia se instalado nela. Não era medo do parto. Era uma sensação de inadequação espacial. O apartamento parecia encolher a cada dia. As paredes pareciam finas demais, o teto baixo demais.

Ela precisava de um ninho. Mas não qualquer ninho.

Quando seus olhos pousaram naquele anúncio sem foto, o bebê chutou.


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